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Título [PT]: Classificadores: a relação entre o icônico e o arbitrário nas línguas de sinais
Autor(es): Rafaelle Assis de Camargo
Palavras-chave [PT]:

Libras, Classificadores, Iconicidade, Arbitrariedade
Palavras-chave [EN]:
Libras, Classifiers, Iconicity, Arbitrariness
Titulação: Bacharel em Linguística
Banca:
Ruth E. V. Lopes [Orientador]
Resumo:
Resumo: As línguas de sinais são de modalidade viso-espacial, ou seja, a sua produção se dá de forma manual usando o espaço físico e esse conteúdo é percebido visualmente. Enquanto língua natural, apresentam sintaxe, fonologia, morfologia e semântica próprias. No entanto, esse caráter icônico de alguns elementos motiva, ainda hoje, questionamentos quanto ao seu estatuto linguístico. Em outras palavras, é estabelecida, em geral, uma dicotomia entre as noções de iconicidade e arbitrariedade, opondo-as. Nesse sentido, este trabalho propõe discutir essa relação de oposição e desconstruí-la enquanto argumento para deslegitimar as línguas de sinais como língua. O foco nessa discussão será o uso de classificadores. Segundo Ferreira Brito (1995), o classificador é um morfema afixado a um item lexical e que lhe atribui a propriedade de pertencer à determinada classe; o classificador tem, portanto, significado. Além disso, há nos classificadores uma similaridade física com as formas e movimentos que representam no mundo real, o que nos leva a concluir que a iconicidade é explorada afim de obter efeitos gramaticais e semânticos, ou seja, “é utilizada de forma convencional e sistemática na organização de subsistemas semânticos e de relações gramaticais altamente abstratas (Ferreira Brito, 1990, apud Ferreira Brito, 1995 : 108).” Isso significa dizer que, mesmo quando icônicos, os sinais são considerados convencionais (não universais) porque cada língua escolhe uma característica distinta do referente a ser representada, eles estão sujeitos a condições pragmático-discursivas. Como metodologia, com base num estudo de Bernardino (2012), a proposta é trabalhar com a produção eliciada de sinais por meio da aplicação, em sujeitos surdos, de uma tarefa que consiste em cenas-estímulo (estáticas) que são apresentadas ao sujeito através de um vídeo, enquanto a resposta sinalizada é filmada. O objetivo deste trabalho é descrever os resultados das produções de classificadores e articulá-los à problematização da dicotomia arbitrariedade/ iconicidade. Os resultados apontam para o fato de que, mesmo icônicos, quando introduzidos no sistema linguístico, esses sinais tornam-se sujeitos às mesmas regras – em diferentes níveis da língua – que outros não motivados visualmente.

Abstract: Sign languages belong to a visual-spatial modality, i.e., its production takes place manually using the physical space and its content is perceived visually. Being a natural language, it presents syntax, phonology, morphology and semantics. However, the iconic nature of some elements motivates questions about its linguistic status. In other words, it is established, in general, a dichotomy between the notions of iconicity and arbitrariness, opposing them. With this in mind, this paper aims to discuss the objection between arbitrariness and iconicity and deconstruct it as an argument to delegitimize sign languages as a real language. The empirical phenomenon discussed are the classifiers. According to Ferreira Brito (1995), the classifier is a morpheme attached to a lexical item that assigns to it the property of belonging to a particular class; the classifier thus bears meaning. In addition, classifiers present a physical similarity with the forms and movements of what they represent in the real world, which leads us to conclude that iconicity is explored in order to obtain grammatical and semantical effects, i.e. “it is conventionally and systematically used on the organization of semantic subsystems and on highly abstract grammatical relations (Ferreira Brito, 1990 apud Ferreira Brito, 1995 : 1081).” This means that even when iconic, signs are considered conventional (not universal) because each language chooses a distinctive feature of the referent to be represented. They are subject to pragmatic-discursive conditions. The methodology is based on Bernardino (2012): the plan is to work with elicited data by applying in deaf people a task that consists of a group of static images that are presented to the subject through a video as an input, while the signed response is filmed. Then the results will be described and linked to the questioning of the arbitrary/iconicity dichotomy, given that, even when iconic, when introduced into the linguistic system, these signals become subject to the same rules as others non iconically motivated - at different levels of the language system.
Data de Defesa: 2015
Código: 64587

Dono: admin
Criado: 02-05-2016 14:12
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