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Título [PT]: Palavras da instauração da República Brasileira: a designação de cidadão em discursos presidenciais
Autor(es): Renata Ortiz Brandão
Palavras-chave [PT]:

cidadão, enunciações presidenciais, República Brasileira, semântica, signos republicanos
Palavras-chave [EN]:
citizen, presidential enunciations, Brazilian Republic, semantics, republican signs
Titulação: Licenciado em Letras – Português
Banca:
Sheila Elias de Oliveira [Orientador]
Resumo:
Resumo: O presente trabalho, resultado de uma pesquisa de iniciação científica financiada pelo PIBIC/CNPq, teve como objetivo compreender a designação de cidadão(s) pela observação de suas predicações, na materialidade textual das enunciações dos dois primeiros presidentes da República Brasileira, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. O estudo está ancorado na Semântica do Acontecimento, que assume uma posição materialista sobre a linguagem, a partir da qual concebe as relações estabelecidas com o real, o que está para ser significado pela linguagem, como históricas. A linguagem não é, portanto, transparente e, desse modo, não se parte de um sentido fixo a priori para a palavra, mas se busca na materialidade textual compreender suas especificidades na relação com sua história de enunciações. Entende-se que uma palavra, enquanto forma da língua, significa na relação dialética entre uma memória de enunciações passadas e o presente do acontecimento, produzindo, nesta relação, uma latência de futuro. É neste jogo entre presente, passado e futuro que se configura a designação de uma palavra no acontecimento enunciativo. Por meio da observação dos movimentos textuais de reescritura(ção) (retomada) e articulação (contiguidade), foi possível analisar as predicações e determinações diretas e indiretas que cidadão recebe nos discursos presidenciais. Desse modo, buscou-se compreender o modo como a palavra significa nos movimentos de filiação e de diferença em relação aos sentidos que se estabilizam na República Ocidental Moderna a partir da Revolução Francesa. As análises mostraram nos primeiros textos uma prevalência da cognata1 concidadãos sobre cidadão(s) e uma especialização de sentidos entre ambas. Estas duas palavras têm funcionamentos similares, mas não equivalentes. Cidadãos/Concidadãos referem o todo da nação, ou especificam indivíduos/grupos da sociedade, dividindo a coletividade nacional. Neste duplo funcionamento, há uma direção mais forte em cada uma dessas palavras: concidadãos refere prioritariamente o conjunto da nação e cidadão(s) refere prioritariamente indivíduos ou grupos da nação. No decorrer cronológico, pôde-se observar, nas enunciações presidenciais, a crescente presença de palavras/expressões concorrentes não-cognatas, como Nação, Brasileiros, Pátria, que significam antes um sentimento patriótico do que uma identificação com o regime jurídico-político republicano. As predicações de República, palavra que predica indiretamente cidadão(s), indicam, nos primeiros textos, a continuidade de um processo político, e não a projeção de um presente ou futuro revolucionários. Em textos posteriores, República reaparece cada vez mais e suas predicações encaminham para os sentidos de construção e defesa do país. Há um processo de afirmação da necessidade de estabilização do regime do qual tomam parte antes as palavras concorrentes do que as cognatas cidadão(s)/concidadãos, palavras-símbolos da República Ocidental moderna. A enunciação de cidadão(s) e concidadãos se particulariza no Brasil pela sustentação do dizer dos presidentes em um discurso patriótico, em detrimento de um discurso revolucionário republicano.

Abstract: The present study, the result from a scientific research sponsored by PIBIC/CNPq, had as aim to comprehend the meaning of the word citizen through the analysis of its predications on the enunciations’ textual materiality of Deodoro da Fonseca and Floriano Peixoto, the two first Brazilians Republican presidents. The study is based on the Semantics of the Events, that assumes a materialistic view about language, conceiving the relations established with reality, which is meant by language, as historical. So, we do not conceive language as transparent and there is not, therefore, a prior fixed meaning for the word, because we seek to understand on textual materiality its specificities related to its enunciative history. We assume that a word, while a language form, means inside the dialectical relation between a memory of former enunciations and the present of the event, producing, in this same relation, a future latency. In this arrangement among present, past and future, the designation of a word in the enunciative event configures itself. Through the observation of the textual movements of rewriting and articulation, it became possible to analyze the direct and indirect determinations that citizen receives on the presidential speeches. Thereby, we sought to understand how the word means in the movements of affiliation and difference in relation to the senses that are settled in modern Western Republics from the French Revolution. The analysis showed, on the first texts, both a prevalence of the cognate fellow citizen over citizen and a specialization of the meaning between them. These two words have similar functioning, but not equivalent. Citizens and fellow citizens refer to the entire nation, or specify individuals/groups of society, dividing the national collectivity. In this double functioning, there is a stronger direction to each one of these words: fellow citizens refers mostly to the entire nation and citizens refers mostly to individuals or specific groups of the society. In the course of time, we could observe, on the presidential enunciations, the growing presence of non-cognate words, as the contenders nation and Brazilians, meaning a patriotic feeling rather than an identification with the legal-political republican regime. The determinations of Republic, word that indirectly predicates citizens, indicate, on the first texts, the continuity of a political process but not the projection of a revolutionary present or future. On later texts, Republic reappears more and more and its determinations head to the meanings of construction and defense of the country. There is a process of affirming the necessity of settling the regime in which the contender-words rather than the cognate words citizens and fellow citizens, considered modern western Republic symbol-words, take part. The enunciation of citizens and fellow citizens takes a specific character in Brazil by sustaining the presidents’ speeches as patriotic ones, over a republican revolutionary speech.
Data de Defesa: 2013
Código: 58422

Dono: admin
Criado: 18-12-2014 16:33
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