Consultar: Estudos da Linguagem - IEL

Título [PT]: Juan Rulfo, Guimarães Rosa e o narrar da tradição e da lei
Autor(es): Rayssa Ávila do Valle
Palavras-chave [PT]:

Literatura Comparada, Juan Rulfo, Guimarães Rosa, Narrar, Tradição, Lei e
costume, Oralidade e escrita, Memória, Phármakon
Palavras-chave [EN]:
Compared Literature, Juan Rulfo, Guimarães Rosa, Narration, Tradition, Law and
habits, Oral and written, Memory, Phármakon
Titulação: Bacharel em Estudos Literários
Banca:
Miriam Viviana Gárate [Orientador]
Resumo:
Resumo: Os contos “Os irmãos Dagobé” e “Luas de mel” de João Guimarães Rosa, bem como “Diles que no me maten” e “Acuérdate” de Juan Rulfo, servem-se de similar paisagem humana no Brasil e no México, uma conjuntura em que certa lógica sócio-comportamental em especial chama a atenção. Trata-se de uma espécie de “lei” paralela ao poder oriundo dos centros urbanos e que parece vigorar com muito mais força no ideário coletivo das personagens, cuja tradição se propaga pela oralidade. Ficcional e historicamente, esse código de conduta e justiça é moldado de acordo com os princípios sertanejos, em que crimes não prescrevem, a vingança é legítima e pode ser feita pelas próprias mãos, a palavra de honra é o selo mais autêntico da lealdade e as traições são cobradas a sangue. Por sua vez, os autores Rulfo e Rosa estruturam suas respectivas obras literárias com técnica narrativa de feição fortemente oral, ainda que a literatura nos chegue em suporte escrito. Ambos se valem da escritura para comporem narradores que, ao contarem “estórias” que dramatizam tal código sertanejo, perpetuam e reforçam a memória social da cultura campesina. Como no phármakon (lembrando o conceito desenvolvido por Jacques Derrida a partir do Fedro de Platão), assistimos a opostos que não se anulam, mas jogam em um meio que não se dobra a explicações, sendo o espaço da verdade que não é expressa no plano narrativo. É um movimento análogo à moral consuetudinária, por seu caráter casuístico e por sua vigência simultânea em relação à legislação burocrática. Esta também é a condição de vários elementos percebidos na contística rulfiana e roseana: a dinâmica entre a oralidade e a escritura, entre a estilística e a reflexão, entre a lei do poder central e a tradição local, o objeto popular e o traço erudito, a literatura e a história, a narrativa e a memória. Estes dois últimos são essenciais para entender como e por que as vozes sertanejas se fazem ouvir nos contos: o ato de contar, este sim insinuado na forma e no conteúdo, é o responsável pela transmissão e constituição da tradição e da memória deste mundo em representação.

Abstract: The short stories “Os irmãos Dagobé” and “Luas de mel” authored by João Guimarães Rosa, as well as “Diles que no me maten” and “Acuérdate” by Juan Rulfo, call upon similar human outlook in Brazil and in Mexico, a scenery in which certain social and behavioral logic draws special attention. It is a sort of “law” parallel to the power from the urban centers and which seems to worth much more strongly on the collective ideology of the characters, whose tradition is orally spread. Fictionally and historically, this code of conduct and justice is shaped according to the countryside principles, in which crimes do not superannuate, vengeance is legitimate and can be done by own hands, word of honor is the most authentic label of loyalty and treason is charged with blood. On the other hand, Rulfo and Rosa have structured their respective literary works with narrative technique of strong oral feature, although the literature comes to us on written means. Both of them avail of writing in the composition of storytellers who, by dramatizing this up-country code, perpetuate and reinforce the collective memory of the countryside culture. As in the phármakon (bringing to mind the concept developed by Jacques Derrida from the interpretation of Plato's Phaedrus), we watch opposites that do not defeat each other, but play in a space that do not surrender to explanations, consisting in the environment of the not explicit truth in the narrative surface. It is a movement analogue to the customary moral, because of its case-to-case feature and its action aside the bureaucratic legislation. This is also the condition of several elements observed in Rulfo's and Rosa's short stories: the dynamics between oral and written, stylistics and thinking, central law and local tradition, popular object and scholar writing, literature and history, narration and memory. The two last ones are essential in order to understand how and why the rural voices make themselves heard in the stories: the act of narrate (this one is indeed insinuated in form and content of this literature) is the responsible for transmission and constitution of tradition and memory in this represented world.
Data de Defesa: 2012
Código: 54617

Dono: admin
Criado: 18-06-2013 16:27
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