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Título [PT]: Lúdico e afetividade a receita certa para se deixar saudades
Autor(es): Carla Cristina Moreira Caetano
Palavras-chave [PT]:

Trabalho de conclusão de curso, Memorial, Experiência de vida, Prática docente, Formação de professores.
Área de concentração: Programa Especial de Formação de Professores em Exercício
Titulação: Licenciatura em Pedagogia
Resumo:
“Gastei uma hora pensando um verso Que a pena não quer escrever. No entanto, ele está cá dentro Inquieto, vivo. Ele está cá dentro E não quer sair.” (Carlos Drummond de Andrade) Na verdade este verso fala da minha angústia, passei dias pensando em como começar a escrever o meu memorial de formação. Eu acreditava ter tido uma vida muito normal, tudo perfeito, para ter que relatar. Foi difícil escolher o que contar, já que eu imaginava ter uma vida normal, igual a todo mundo, eu vivia no censo comum. Mas foi ativando minhas memórias, conversando com minhas colegas de sala, que pude perceber que experiências vividas por mim, foram bem diferentes das vividas por minhas colegas, mesmo tendo mais ou menos todas as mesmas idades, nossas vivências foram bem diferentes. No ano de 2004 surgiu à oportunidade de ingressar em um curso superior, o PROESF, que é um Programa Especial de Formação de Professores em Exercício da Região Metropolitana de Campinas, que é uma parceria entre Unicamp e Secretarias Municipais da Região Metropolitana de Campinas. Um dos meus sonhos era ingressar em uma faculdade, mas não tinha condições financeiras, e com o surgimento desta oportunidade fiquei um tanto desconfiada, pois era muita a oportunidade, e como diz o ditado popular, que “quando a esmola é demais até o santo desconfia”, eu desconfiei e resolvi esperar o próximo ano, para saber com as colegas que ingressaram se realmente valia a pena. Tive oportunidade de ver os textos que estavam sendo utilizados, os trabalhos propostos e pude perceber que realmente era um curso sério, e então em 2005 prestei vestibular, passei e em agosto do mesmo ano iniciei no PROESF. O PROESF mudou minhas concepções, passei a olhar meus alunos com outros olhos. ... a gente olha mas não vê, a gente vê, mas não percebe, a gente percebe, mas não sente, a gente sente, mas não ama e, se a gente não ama a criança, a vida que ela representa, as infinitas possibilidades de manifestação dessa vida que ela traz, a gente não investe nessa vida, e se a gente não investe nessa vida, a gente não educa e se a gente não educa no espaço/ tempo de educar, a gente mata, ou melhor, a gente não educa para a vida; a gente educa para a morte das infinitas possibilidades. A gente educa (se é que se pode dizer assim) para uma morte em vida: a invisibilidade. (Trindade, 2000, p.9) Eu acreditava que havia sido alfabetizada da melhor forma, que meus professores eram os melhores e que eu deveria ser como eles, e descobri com a disciplina de Teoria Pedagógica e Produção em Língua Portuguesa que poderia ter sido muito melhor e prazerosa a aprendizagem, se houvesse a afetividade, o faz de conta na sala de aula, não me lembro de nenhuma professora minha contar historinhas, elas liam ou faziam com que lêssemos para a sala os “textos” da cartilha da primeira série a famosa, Caminho Suave e dos livros das séries seguintes. Fazíamos o entendimento do texto, onde as respostas seguiam em seqüência no texto, era só copiar do texto, não precisávamos nem pensar para dar as respostas era só ler e copiar em seqüência. No entanto eu detestava a disciplina de Língua Portuguesa, não gostava de ler, mas no 2º ano de magistério tive a oportunidade de ter uma professora que fez a diferença. Ela gostava do que fazia e o fazia bem, ela levava textos de diferentes gêneros, nos leva a pensar, a refletir e a discutir o assunto em sala de aula e através dos textos era trabalhado a parte gramatical sem a necessidade de exercícios massantes. Depois do 2º ano de magistério passei a gostar da disciplina de Língua Portuguesa, a gostar de ler e até cheguei a pensar em fazer faculdade de Letras inspirada nesta professora. Mas um único ano foi muito pouco. E foi no PROESF que fui sentir dificuldades. Nenhum professor em minha trajetória escolar havia me pedido para pensar e escrever sobre mim, como eu pensava e por que pensava daquela maneira, não haviam me ensinado o hábito de ler e escrever sobre o que havia lido, eu não via importância em contar histórias ou cantar para os meus alunos, essas atividades eram apenas passa tempo. E são essas vivências que irei relatar nesse memorial de formação. Vivências que me fizeram ser quem sou hoje, como pessoa e como profissional. Hoje sou uma professora segura de minhas ações, argumento e questiono as dirigentes quando necessário. Mudei a minha maneira de ver o mundo, vejo a criança como um todo a ser desenvolvido afetivamente, fisicamente e cognitivamente, vejo possibilidades de mudanças. Vivências de ontem e de hoje. Muita coisa mudou à minha volta e em mim, e são essas mudanças de pensamentos, olhares e até comportamentos que irei compartilhar com os leitores. Procurei dividir meu memorial em quatro eixos: O lúdico, A afetividade, A profissão e O espaço escolar. Os capítulos enfocam: 1 – O lúdico, relato a respeito das memórias do lúdico em minha infância, e vivências que foram marcantes para mim, pois o lúdico nem sempre fez parte da minha vida e também sobre o lúdico na Educação Infantil, área em que trabalho; 2 – A afetividade, relato sobre diferença que a afetividade faz no aprendizado, conto um pouco de como era e com procuro ser na relação professor - aluno e aluno – professor, e deixo também as minhas expressões frete a afetividade e a família; 3 - Do desejo à profissão relato toda a trajetória até me tornar professora e cursar o PROESF; No capítulo 4 - O espaço escolar, relato como era o espaço escolar no meu tempo de criança e como é hoje na escola em que trabalho e como é na escola que escolhi para os meus filhos. Contarei fatos que foram marcantes para mim não só no passado como também agora relembrando, e podendo refletir e ver que algumas coisas mudaram como é o caso do espaço físico da escola, como era quando freqüentei a pré-escola e como é hoje. Vou contar a minha história, me apropriando dos pensamentos de alguns teóricos como Vygotsky (1998), Wallon, Almeida (1997), Áries (1981), Freire (1996), (2000), Leite (2006), Marcelino (1990) assim como me apropriei de textos literários como Abramowicz (2003), Bondioli (1998), Dantas (1992), Faria (1999), Fernandes (2004), Kramer (2003), La Taille (1992), Rocha (2000), Sans (1994), Trindade (2000), Wajskop (2001), Zabalza (1998), para falar minha história, história com erros e acertos, mas o importante é que através dela eu aprendi e me tornei educadora.
Descrição:
Memorial apresentado ao Curso de Pedagogia – Programa Especial de
Formação de Professores em Exercício nos Municípios da Região Metropolitana de Campinas, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, como um dos pré-requisitos para conclusão da Licenciatura em Pedagogia.
Código: 41227
Informações adicionais:
Formandos 2008 - Turma G
CDD - 370.92

Dono: admin
Criado: 01-09-2010 14:15
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