Consultar: Faculdade de Educação - FE

Titulo Principal: O poder do poder na escola
Autor(es):

Silvana Alves Valentini
Palavras-chave [PT]:
Trabalho de conclusão de curso, Memorial, Experiência de vida, Prática docente, Formação de professores.
Área de concentração: Programa Especial de Formação de Professores em Exercício
Titulação: Licenciatura em Pedagogia
Resumo:
Não foi fácil concluir este curso! No início muita ansiedade, alegria por estar na universidade, enfim uma realização pessoal! Foram muitas indagações, algumas ainda sem respostas, outras já construídas e acomodadas, enfim, como as crianças, ainda me considero num processo de construção, no qual o melhor de tudo é saber que há outras saídas que não as tradicionais. É fato que recorrer às memórias foi bom na medida em que me fez rever condutas já ultrapassadas. Reler textos para reflexão me transportou ao início quando eu acreditava que tudo estava bem, porém o “estar bem” nem sempre revela uma condição prazerosa propiciadora de aprendizagem, levando-se em conta que é através do conflito que se dá a construção do conhecimento. Escrever sobre nossas frustrações, sobre os nossos “erros” desperta sentimentos adormecidos e nem sempre é agradável. Busquei em minhas memórias o que considero relevante para minha vida profissional, assim como, é necessário considerar os conhecimentos prévios dos alunos, buscando entender determinados comportamentos seus. Acredito que levei para minha vida profissional muito de minha vida pessoal, afinal, a Silvana mãe, mulher, esposa, professora, coordenadora, amiga, estudante, preguiçosa, batalhadora, etc. formam um único profissional: a professora e neste contexto, se fez necessário que eu escrevesse um pouco sobre a relação de meus pais, minha infância, para que se perceba como foi a minha formação/educação. Ressaltarei a influência do controle, do poder do adulto sobre a criança: a princípio no lar, relatando algumas situações familiares – a relação pais X filhos, esposo X esposa e posteriormente na escola enfocando a relação professor X aluno (em alguns momentos me coloco como aluna e em outros como professora). Através de leituras realizadas sobre as concepções: de educação, disciplina, família, escola e sociedade, busquei a reflexão e o entendimento sobre as relações que estão instauradas no âmbito escolar. Estas relações de poder foram, a meu ver, mais evidentes no modelo tradicional de ensino, onde o professor era o detentor do saber e um mero reprodutor de informações, ao aluno cabia ouvir e interiorizar/memorizar as informações recebidas, a escola neste contexto apresentava-se como mera reprodutora das ideologias vigentes (o que não quer dizer que hoje seja muito diferente). Vivemos numa sociedade que é resultado de um processo que vem se construindo ao longo da história, e neste contexto, a disciplina Sociologia muito contribuiu com suas idéias. Os fundadores deste campo de conhecimento, dentre os quais destaco Émile Durkheim, que me ajudou a compreender, sob seu ponto de vista, a escola que hoje temos, visto que o sistema escolar brasileiro ainda carrega em si semelhanças com o pensamento durkheimiano – disciplina, vigilância, punição... Através de relatos de fatos vivenciados em minha infância e algumas situações de sala de aula, mostrarei que a criança ainda hoje é educada para sujeitar-se e obedecer disciplinadamente a toda regra imposta (pelos mais velhos e poderosos) e não a que ele reconheça como válida por ser geral e necessária. A aceitação voluntária da regra (entendida como autonomia por Durkheim) não permite à criança aprender a agir e julgar de acordo com suas próprias convicções. Ao falar de minha infância, do início de minha formação educacional, da minha prática profissional, o leitor poderá perceber que o sistema educacional nada, ou melhor, quase nada mudou nas duas últimas décadas: o currículo, o sistema de avaliações, regras, os PCNs da vida, etc., o professor continua reproduzindo a ideologia política vigente (mesmo que inconscientemente) e o aluno continua sendo aquele que aceita regras, que é moralizado em prol da coletividade = sociedade. Mas nem tudo está perdido! Tentarei relatar a importância do professor na vida escolar de cada criança: a rotulação, o sucesso, o fracasso, o vir a ser cidadão crítico e responsável. Depois de ter estudado e refletido sobre algumas “posturas” (que serão relatadas no capítulo quatro - E AGORA PROFESSORA?) pude relacionar textos trabalhados nas discip linas: Pensamento Filosófico, Sociologia, Psicologia, Avaliação, Teoria Pedagógica e Produção em Língua Portuguesa e Educação da criança de zero a seis anos, buscando entender o sistema educacional e nossa importância dentro dele. Outro ponto relevante e muito presente em minha prática profissional foi a avaliação e a quebra de paradigmas sobre a educação infantil, que estarão relacionados no decorrer do capítulo quatro. E assim, muitas vezes me pego pensando: . - Será que fiz o que poderia? Será que abri portas? Ou as fechei para sempre? - Sou passível de mudar e ocasionar mudanças? - Terei boas histórias para contar aos filhos e aos netos, quiçá? Enfim, vivendo e aprendendo e como diz o refrão, que por muito tempo foi usado nas formaturas e atualmente está sendo usado na propaganda do PROUNI: “Vem, vamos embora que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!” Não espere que minha história seja fascinante, um conto de fadas! Considero que, por sua similaridade com outras tantas por nós conhecidas, é que ela, na minha opinião, faz a diferença.
Data de Defesa: 2005
Descrição:
Memorial apresentado ao Curso de Pedagogia – Programa Especial de
Formação de Professores em Exercício nos Municípios da Região Metropolitana de Campinas, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, como um dos pré-requisitos para conclusão da Licenciatura em Pedagogia.
Código: 20941
Informações adicionais:
Formandos 2005 - Turma J
CDD - 370.92

Dono: admin
Criado: 03-05-2007 10:25
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