Consultar: Faculdade de Educação - FE

Título [PT]: Exclusão continuada
Autor(es): Paula Alves da Silva
Palavras-chave [PT]:

Trabalho de conclusão de curso, Memorial, Experiência de vida, Prática docente, Formação de professores.
Área de concentração: Programa Especial de Formação de Professores em Exercício
Titulação: Licenciatura em Pedagogia
Resumo:
Desde minha adolescência, sempre me preocupei com o fato de que pessoas de classes sociais menos favorecidas não tivessem oportunidades de ingressar numa universidade pública diante dos concorridos vestibulares. Considerava uma injustiça que os “pobres” precisassem se “sacrificar” para pagar as mensalidades da universidade privada, enquanto os “ricos” estivessem ocupando sua vaga na universidade pública e de qualidade! Mesmo diante de minhas limitadas argumentações, atribuía essa diferenciação à qualidade também diferenciada do ensino fundamental. Os “ricos” estudavam desde pequenos numa escola para ricos, enquanto os “pobres” estudavam numa escola para pobres, traçando assim, quase que inevitavelmente, seu destino entre, trabalhar nas profissões denominadas como menos “nobres”, diante da falta de instrução, ou prosseguir “às duras penas” no ensino superior para galgar, quem sabe, um espaço no mercado de trabalho. Apesar de não continuarem tão radicais, minhas conclusões, após o ingresso na faculdade e as experiências adquiridas, permaneceram similares. Isto porque passei a compreender a gênese e a finalidade dessa desigualdade. A escola é uma construção histórica que obedece a certas finalidades sociais. Segundo Freitas (2005)1 as duas funções para qual a escola foi inventada são excluir e subordinar. Desse modo, se a escola constitui-se num espaço institucional que contribui para a integração econômica da sociedade capitalista formando o contingente da força de trabalho, ela precisa criar desigualdades entre quem tem capital, e quem só tem a força de seu braço, contribuindo assim para perpetuar as desigualdades escolares e consequentemente as desigualdades de classes sociais. Ora, a sociedade capitalista não instituiria uma escola que produzisse igualdade social, pois seria o mesmo que acabar com a acumulação do capital. Nesse sentido Gentili (2002) destaca que a educação das pessoas da camada menos favorecida se dá: “num sistema escolar pulverizado, segmentado, no qual convivem circuitos educacionais de oportunidade e de qualidade diversas: oportunidades e qualidade que mudam conforme a condição social dos sujeitos e os recursos econômicos que eles têm para acessar a privilegiada esfera dos direitos da cidadania”. (p.59) A partir do embasamento teórico e da minha prática pedagógica, decidi pesquisar como algumas políticas contribuem para perpetuar as desigualdades sociais, oferecendo um padrão irrisório de qualidade aos alunos de classes sociais menos favorecidas, mesmo que em seu discurso pareçam almejar uma escola democrática. Antes de ingressar na faculdade, considerava a proposta dos ciclos, a grande responsável pela queda ainda maior da qualidade do ensino, entretanto após aprofundar meus conhecimentos, especialmente através das disciplinas Avaliação e Políticas Educacionais, pude concluir que os ciclos de formação, na verdade, propõem uma ruptura com a cultura escolar, através de mudanças radicais em sua estrutura e organização, por meio de uma nova concepção de educação, que respeita as fases de desenvolvimento humano. O que realmente vem contribuindo para consolidar a falta de qualidade na educação, são propostas de ciclos de progressão continuada mal implantados – inclusive no município onde trabalho - sem a devida preparação dos professores e sem as condições financeiras para sua implementação. Esse portanto será o foco principal de meu trabalho: Como a progressão continuada vem contribuindo para que a qualidade de ensino não se concretize e quais os interesses existentes por trás de políticas como estas. Para tanto, além do embasamento teórico conquistado através das disciplinas retro referidas, utilizei-me das situações vivenciadas no cotidiano escolar e da participação de outros professores para dar consistência a essa pesquisa, afinal, acredito que a prática em sala de aula com aluno e professor – atores fundamentais no processo educativo – deve ser o ponto de partida de toda política educacional que vise efetivamente a melhoria da educação.
Data de Defesa: 2005
Descrição:
Memorial apresentado ao Curso de Pedagogia – Programa Especial de
Formação de Professores em Exercício nos Municípios da Região Metropolitana de Campinas, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, como um dos pré-requisitos para conclusão da Licenciatura em Pedagogia.
Código: 20800
Informações adicionais:
Formandos 2005 - Turma G
CDD - 370.92

Dono: admin
Criado: 26-04-2007 13:44
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