Consultar: Faculdade de Educação - FE

Título [PT]: A construção da autonomia na creche
Autor(es): Thatiane Moreira da Silva.
Palavras-chave [PT]:

Trabalho de conclusão de curso, Memorial, Experiência de vida, Prática docente, Formação de professores.
Área de concentração: Programa Especial de Formação de Professores em Exercício
Titulação: Licenciatura em Pedagogia
Resumo:
Livros, giz, lousa ou até mesmo uma janela em que eu pudesse escrever, alguns bonecos espalhados, objetos imprescindíveis de minha infância. Alunos ideais eram aqueles, perfeitos, pois não falavam, não perguntavam, ao menos tinham expressões eu os colocava em um canto e pronto! Ali ficavam até o final de minhas explicações. Às vezes eu falava sobre animais, pois queria ser uma veterinária, outras vezes sobre os gases poluentes, pois como meu pai, eu gostaria de ser técnica em bioquímica. Mas no fundo mesmo eu estava ali, ensinando meus bonecos, meus alunos perfeitos ou seriam imperfeitos, afinal eu não sabia ao certo se eles estavam entendendo minhas explicações. Hoje alunos de verdade fazem parte de minha vida, alunos questionadores, de uma classe social não favorecida. Alunos que muitas vezes mal sabem sua função na sociedade e que certa forma, não lhes é importante esse entendimento no momento. As crianças querem brincar, querem viver esse tempo de infância, que em vários momentos são interrompidos por mim ou por outro educador, pois temos um Projeto Político Pedagógico (PPP) a atingir. Se não fizermos o PPP, correremos o risco de sermos taxadas por não manter um vínculo com a escola ou até mesmo de não gostarmos de trabalhar. Essas são algumas falas ouvidas por mim na unidade em que trabalho. Mas serão mesmo essas as causas de se banalizar o uso do lúdico no trabalho educacional em detrimento da escolarização? Infelizmente a autoridade e a participação “mascarada” dos profissionais da educação na proposta pedagógica estão fortemente impregnadas nas escolas. O PPP é coletivamente construído, porém podemos notar que traz idéias enraizadas de uma única administração, onde fica a questão da democracia? As ideais são lançadas, as questões discutidas, mas até que ponto o coletivo é respeitado, se ao final no momento em que o projeto é digitado, mudam-se palavras, colocam-se outras formas de entendimento? Isso não é um controle? Controle que muitas vezes acaba refletindo nas crianças. De que forma isso ocorre? Faço estas indagações por ter percebido ao longo dos anos de atuação que há uma grande preocupação na educação, principalmente infantil, em preparar uma sociedade futura. Desta forma é tirado da criança o direito de viver momentos imprescindíveis para suas formações cognitivas e motoras. Quando digo que a preocupação em preparar uma sociedade futura está principalmente na educação infantil, é porque nesta idade é que quando se inicia a formação de conceitos, no qual a criança aprende como se faz ou não se faz, ou seja, é uma idade apta a reforçar idéias já impregnadas na sociedade, mais fácil de “controlar”, quando deveríamos utilizar este momento para criarmos novos conceitos, ou melhor, uma nova sociedade. E o que é infância? Como trabalhar a infância sem nos preocupar com o futuro? Infância é um momento único e mágico no qual a criança expõe seus sentimentos, suas ações de forma a criarem novas situações, transformarem objetos, brincar de forma inesperada. A mesma criança não reage da mesma maneira em diversas situações, bem como, crianças diferentes não reagem da mesma foram diante uma mesma situação. O que nós educadores precisamos é prestar mais atenção em cada gesto de cada criança e assim perceberemos que eles próprios são capazes de construir algo futuro. Não somos nós educadores que temos que nos preocupar com o futuro. Cabe a nós apenas dar-lhes as ferramentas necessárias. Temos sim que mostrar que são capazes de fazer escolhas, de criar possibilidades. Os educadores são apenas mediadores dos documentos e não reprodutores de conceito e a escola um instrumento utilizado pelo educador. De acordo com MORAIS (1995) “... precisamos ter paciência e generosidade para plantar a fim de que nossos filhos e netos um dia colham”. (p.29) Partindo destes pressupostos meu objetivo neste memorial é, a partir de minhas experiências de vida, procurar entender quais as concepções que norteiam a Educação Infantil, buscando evidenciar como trabalhar de forma a estimular a autonomia de nossas crianças à luz das teorias discutidas no curso de Pedagogia da Unicamp. Escolhi este tema por sentir-me incomodada com a forma como as coisas são estabelecidas dentro das instituições de educação infantil em relação a autonomia dos pequenos, como se esses fossem seres amorfos, sem vontades e desejos que nunca devem ser ouvidos, principalmente nos berçários, locais em que tenho maior experiência. Partindo destas indagações que me inquietavam resolvi, a partir dos novos olhares construídos com o curso da Unicamp, descobrir que teorias implicam esta ação dos profissionais da educação infantil; que suportes embasam estes olhares e quais as alternativas possíveis para a modificação deste status. Para tanto organizei minha pesquisa em três capítulos em que busco sintetizar o que aprendi no curso e na vida profissional. No primeiro capítulo faço um breve retrospecto histórico da educação infantil no Brasil, seus significados e paradigmas. O segundo capítulo versa sobre o tema de meu trabalho propriamente dito que é a autonomia das crianças na educação infantil. No terceiro capítulo procuro trazer a baila o que foi a minha vivência nestes três anos na Unicamp e em que este curso me auxiliou em minha profissão e porque não em minha vida pessoal. Termino o trabalho apresentando as conclusões a que cheguei ao longo do trabalho e do curso. Sei que ainda preciso aprender muito mais para entender todos estes processos pedagógicos que embasam nossas ações nas instituições, mas acredito que tudo o que vivenciei no curso de Pedagogia da Unicamp me habilita para que eu possa lançar novos olhares e alternativas para os educadores e as instituições e foi isso que procurei realizar neste memorial.
Data de Defesa: 2005
Descrição:
Memorial apresentado ao Curso de Pedagogia – Programa Especial de
Formação de Professores em Exercício nos Municípios da Região Metropolitana de Campinas, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, como um dos pré-requisitos para conclusão da Licenciatura em Pedagogia.
Código: 20604
Informações adicionais:
Formandos 2005 - Turma C
CDD - 370.92

Dono: admin
Criado: 24-04-2007 13:07
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