Consultar: Estudos da Linguagem - IEL

Título [PT]: Eu vou contar e outras cenas de testemunhos de mulheres: um estudo discursivo das relações entre arquivo, trauma e língua
Autor(es): Júlia Mendes Carrenho
Palavras-chave [PT]:

Análise de discurso, Testemunho, Arquivo, Cena, Funcionamento discursivo
Titulação: Bacharela em Linguística
Banca:
Lauro José Siqueira Baldini [Orientador]
Resumo:
Resumo: Este trabalho, filiado à análise de discurso materialista (PÊCHEUX, [1969] 1997, [1975] 2014, [1983] 2006), tem como objetivo investigar funcionamentos relativos a testemunhos e às cenas em que esses testemunhos se produzem ou emergem, sobretudo a partir da análise da campanha Eu vou contar. A campanha, promovida pela ONG Anis – Instituto de Bioética, apresenta-se como esforço de escuta e divulgação de “histórias/relatos de aborto”, feita via Tumblr através de publicação dos “relatos” em texto e também em vídeo que apresenta uma leitura-interpretação do mesmo relato. A questão inicial de análise é pensar os “relatos” em relação a suas condições de emergência, em especial o modo como elas os determinam e como neles se marcam. Visando a respondê-la, propõe-se um gesto de aproximação, ou de leitura-trituração (PÊCHEUX, 1980), entre a primeira campanha e dois outros materiais: a campanha #meuamigosecreto e o Capítulo 10 do Relatório da Comissão Nacional da Verdade. Esses materiais incidem no trabalho principalmente para ajudar na elaboração de questões postas pelo percurso principal de trabalho com a campanha Eu vou contar. A possibilidade de cotejo decorrente da aproximação permitiu pensar a generalização de funcionamentos percebidos inicialmente na primeira campanha como próprios do testemunho. Dentre esses, destaca-se o funcionamento dos “relatos” na contradição, entre a tentativa/chance e a falha/impossibilidade de dizer, marcado desde a constituição do enunciado que nomeia a campanha, composto por uma locução verbal cujo objeto está ausente (“eu vou contar [ ]”). A análise desse enunciado leva à elaboração da noção de funcionamento testemunhal como consequência do atravessamento da dimensão do traumático que define o testemunho e é também em torno dele que se constitui um percurso analítico central do trabalho, voltado para o objeto ausente do verbo contar. Para discutir a questão do trauma, o trabalho traz à baila elaborações de Felman (2014), Levi ([1946] 2014, [1986] 2014) e Agamben ([1998] 2008), colocando-as, porém, em fricção com a rede de conceitos discursivos. Para tanto, retoma-se a contribuição de Mariani (2016), mas também se promove uma discussão central em torno da relação entre arquivo (GUILHAUMOU; MALDIDIER; ROBIN, [1994] 2016; BARBOSA FILHO, 2018), acontecimento (PÊCHEUX, [1983] 2006), trauma e testemunho. Além disso, devido ao movimento necessariamente pendular entre trabalho com o corpus e montagem do dispositivo de análise, elabora-se a relação entre, de um lado, a formação e o funcionamento de espaços de escuta e produção dos relatos testemunhais e, de outro, o funcionamento dos próprios relatos, através da mobilização da noção de cena. Parte-se, para tanto, do conceito de cena enunciativa de Guimarães (2002; 2014), porém elaboram-se deslocamentos decorrentes de um percurso de reflexão sobre o papel dessa estrutura de cena na produção discursiva de sentidos – nesse percurso, explora-se ainda um quarto material, o filme-documentário Jogo de cena de Eduardo Coutinho (2007) – e da entrada da dimensão do traumático na cena. Deriva, daí, um outro objetivo importante do trabalho: o da investigação da produtividade da cena, proposta enquanto instância estruturada e, portanto, estruturante, para a análise de materiais em que esteja em jogo a questão do testemunho.
Data de Defesa: 2019
Código: 109241

Dono: iel_ar
Criado: 07-11-2019 15:41
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